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6.os NOSSos gestores

Eduardo Catroga

Presidente do Conselho Geral e de Supervisão

Senhores Accionistas:
O exercício de 2017 foi um dos mais desafiantes da minha Presidência do Conselho Geral e de Supervisão.

A EDP continua a ser uma referência do sector eléctrico europeu e continuou a consolidar o seu desenvolvimento dentro das linhas estratégicas definidas. O Conselho Geral e de Supervisão, no âmbito das suas competências legais e estatutárias, manteve o seu papel activo na supervisão e no acompanhamento permanente da actividade do Conselho de Administração Executivo da Sociedade e das Sociedades dominadas, em particular, nos domínios do aconselhamento, da análise, do acompanhamento das decisões mais importantes – designadamente no que concerne à definição da estratégia, à inovação, aos investimentos, desinvestimentos, operações de financiamento – e das políticas estruturais nos vários domínios funcionais.

O Conselho Geral e de Supervisão funciona em plenário e através das suas Comissões Especializadas (Comissão para as Matérias Financeiras/Comissão de Auditoria; Comissão de Vencimentos; Comissão de Estratégia e Performance; Comissão de Governo Societário e Sustentabilidade), em que delega o exercício de determinadas funções, sem prejuízo de manter a responsabilidade colectiva pela execução das mesmas.

A organização e a preparação das reuniões do Conselho, bem como a coordenação com as suas Comissões Especializadas, são desempenhadas, em permanência, pelo Presidente do Conselho Geral e de Supervisão e suportadas no trabalho técnico do Gabinete de Apoio.

Uma das mais relevantes funções do Presidente do Conselho Geral e de Supervisão consiste no trabalho conjunto com o Presidente do Conselho de Administração Executivo, bem como com os restantes membros desse órgão executivo, de forma articulada com as actividades dos Presidentes das Comissões Especializadas do Conselho Geral e de Supervisão.

No ano de 2017, no exercício das suas funções, o plenário do Conselho Geral e de Supervisão e as suas Comissões Especializadas realizaram um total de 40 reuniões e emitiram 32 pareceres, pareceres prévios e dispensas de parecer prévio.

A actividade do Grupo EDP, em 2017, pela sua presença no panorama energético internacional, foi influenciada, naturalmente, pelo enquadramento macroeconómico global e pelas tendências estruturais do sector.

No contexto macroeconómico de 2017, registou‑se uma melhoria global da economia mundial, com um crescimento de 3,7%. Mais concretamente, as economias dos principais países onde a EDP opera (Portugal, Espanha, Brasil e Estados Unidos da América), embora com níveis diferenciados, tiveram uma evolução positiva no ciclo económico. Em Portugal, verificou‑se uma expansão do Produto Interno Bruto de 2,6% (2016: 1,4%), em linha com as tendências de melhoria da actividade económica na Europa (2017: 2,5%; 2016: 1,7%). A economia espanhola, à semelhança dos anos anteriores, continuou a revelar uma dinâmica superior, com o Produto Interno Bruto a crescer 3,1% (2016: 3,2%). No entanto, em ambos os países, esta expansão da actividade económica reflectiu-se apenas moderadamente no consumo de electricidade, o qual registou uma ligeira subida de 0,7% em Portugal e de 1,1% em Espanha.

Por seu turno, a economia brasileira, em 2017, apesar da elevada dívida pública e da situação política, apresentou uma ligeira retoma, com um crescimento do Produto Interno Bruto na ordem de 1% (2016: -3,6%). No consumo de electricidade, o Brasil registou também um ligeiro aumento de 0,8% (2016: -0,9%).

Nos Estados Unidos da América, país de forte implantação da EDP Renováveis, registou-se, em 2017, um ritmo de crescimento do Produto Interno Bruto de 2,3% (2016: 1,6%). A mudança na Presidência americana, factor potencialmente gerador de alguma incerteza no que toca à continuação de algumas medidas de combate às alterações climáticas, na prática não alterou substancialmente o regime de incentivos ao investimento para produção renovável, garantindo visibilidade suficiente até 2023.

Nos mercados financeiros internacionais, o ano de 2017 caracterizou-se por taxas de juro historicamente baixas, com reflexos positivos na EDP, para os quais contribuíram, igualmente, as melhorias do rating da República e da própria EDP.

Nesta envolvente externa e, em linha com os pilares estratégicos definidos, a EDP decidiu reforçar a sua posição accionista na EDP Renováveis, através de uma operação de oferta pública de aquisição, e, simultaneamente, desinvestir na rede de gás em Portugal e em Espanha, atendendo ao apetite dos investidores.

Senhores Accionistas:
Os resultados de 2017 foram positivamente influenciados pela gestão activa do portefólio e, negativamente, pelas condições hídricas de seca na Península Ibérica e por medidas de carácter político e regulatório, nomeadamente em Portugal.

O resultado líquido consolidado atribuível aos accionistas da EDP atingiu os € 1.113 milhões (2016: € 961 milhões), em que a componente recorrente, expurgada de efeitos das operações one-offs, representa cerca de € 845 milhões (2016: € 919 milhões).

A rentabilidade do capital total operacional investido situou-se nos 5% (2016: 5,5%), enquanto a rentabilidade do capital próprio foi de 10,5% (2016: 9,3%), a qual foi influenciada pela evolução do grau de leverage e pelo saldo dos resultados extraordinários do exercício. Nestes destacam-se, pela positiva, as mais-valias obtidas nas transacções das redes de gás e, pela negativa, os impactos acumulados de decisões políticas e regulatórias.

No mercado bolsista, o ano de 2017 foi marcado por uma valorização generalizada dos índices. Os accionistas da EDP obtiveram um Total Shareholder Return (considerando o reinvestimento dos dividendos quando pagos) de +6%, o qual compara com um retorno de +19% do índice PSI20 e de +21% do índice Eurostoxx Utilities.

O desempenho da acção da EDP foi muito influenciado pela percepção negativa por parte do mercado de capitais quanto aos riscos políticos e regulatórios em Portugal e às incertezas geradas.

Efectivamente, o exercício de 2017 ficou muito marcado por uma forte pressão política – regulatória, nomeadamente em Portugal, o que implicou uma atenção reforçada do Conselho de Administração Executivo e do Conselho Geral e de Supervisão na defesa dos interesses legítimos da empresa e dos seus accionistas, no quadro legal e no regime contratual vigentes.

O Conselho Geral e de Supervisão, na sua avaliação, considera que os resultados do exercício de 2017 confirmam a coerência das prioridades estratégicas do Plano de Negócios 2016-2020 e uma execução eficiente, na constante procura de criação de valor e num equilíbrio saudável com os interesses de todos os stakeholders, com o reconhecimento e a promoção do mérito dos colaboradores, e com os compromissos de sustentabilidade a médio e longo prazos.

Como é do conhecimento dos Senhores Accionistas, a estratégia da EDP, para além do objectivo de uma rentabilidade atractiva, integra o pilar do crescimento focalizado balanceado com a redução progressiva do nível de endividamento.

O ano de 2017, no domínio do investimento, é caracterizado: pela finalização de investimentos hídricos em Portugal (Venda Nova III e Foz Tua) e no Brasil (São Manoel); pelo início de um investimento hídrico no Peru (San Gabán), em parceria com a China Three Gorges; pela prossecução da estratégia de expansão da EDP Renováveis, nos segmentos eólico (on-shore e off-shore) e solar fotovoltaico, com destaque para os EUA, pela sua atractividade e estabilidade; pela entrada da EDP Energias do Brasil no segmento da transmissão, o qual se revela atractivo como novo vector de crescimento; e pelo investimento estratégico, também da EDP Energias do Brasil (ainda que em posição minoritária) na empresa distribuidora brasileira CELESC, dentro do objectivo de reforço a prazo do segmento de distribuição em Estados seleccionados, dentro do pilar de “risco controlado”, que constitui, também, elemento permanente da estratégia da empresa.

Em 2017, a EDP deu um passo significativo na concretização do seu objectivo, de médio prazo, de redução progressiva do rácio de endividamento (Dívida líquida/Resultados operacionais brutos). Este indicador atingiu 3,5 vezes (3,7 vezes Dívida líquida/Resultados Operacionais brutos recorrentes); com ajustamento do efeito dos activos regulatórios do sistema eléctrico no balanço da EDP, esse mesmo rácio situou-se em 3,3 vezes. Em função da evolução deste indicador, a EDP atingiu, em 2017, a melhor estrutura financeira dos últimos dez anos.

O ano de 2017 foi também um marco importante na parceria estratégica entre a EDP e a China Three Gorges, tendo esta concluído o investimento assumido no âmbito do Framework Agreement aquando da sua entrada no capital social da EDP. Celebrou-se um novo memorando de entendimento entre as partes, o qual estabelece um enquadramento quanto às potenciais áreas e geografias de cooperação conjunta no futuro.

No âmbito do pilar “Eficiência Superior” – outro elemento permanente da estratégia da EDP -, o Conselho Geral e de Supervisão estimulou e acompanhou os vários projectos de melhoria de eficiência específicos das unidades de negócio e os transversais a todo o Grupo, destacando-se a continuação dos denominados programas Opex e Orçamento Base Zero, que visam a redução dos custos operacionais e a optimização de estruturas.

Como os Senhores Accionistas bem sabem, a EDP, na sua gestão estratégica, prossegue, além dos objectivos de rentabilidade, crescimento balanceado com desalavancagem financeira e eficiência superior, o de procurar contribuir para um mundo mais equilibrado nos domínios social, cultural e ambiental. Neste campo, a EDP continuou a desenvolver, em 2017, nos vários países onde opera, acções específicas nestas áreas, sendo de destacar o papel da Fundação EDP (em Portugal), da Fundación EDP (em Espanha) e do Instituto EDP (no Brasil). Em termos globais, apraz-nos assinalar o reconhecimento internacional, via Dow Jones Sustainability Index, onde a Sociedade tem obtido classificações muito relevantes nos últimos anos, tendo registado, em 2017, a melhor pontuação de sempre.

Ainda no campo das políticas estruturais, o Conselho Geral e de Supervisão e/ou as suas Comissões Especializadas acompanharam activamente as principais, nomeadamente a política de gestão de recursos humanos, a política de gestão de riscos, as acções de aprofundamento da digitalização e os projectos de inovação.

A EDP está a desenvolver internamente e com parceiros seleccionados, a nível internacional, vários projectos de inovação de grande interesse estratégico, visando a sua adaptação aos modelos de negócio do futuro e investindo adequadamente em activos e em pessoas, procurando contribuir para o seu desenvolvimento técnico, humano e cultural, através das acções da sua Universidade “corporativa” e dos programas de formação profissional em todas as áreas.

Senhores Accionistas:
A EDP conseguiu, nos últimos anos, alcançar os seus objectivos e cumprir com os compromissos para com todos os seus stakeholders (accionistas, clientes, colaboradores e parceiros).

A EDP é, hoje, uma empresa cada vez mais internacional, representando a actividade fora de Portugal 62% do total do Resultado Operacional Bruto. Assim, sendo uma empresa multinacional (opera em 14 países), os desafios que tem pela frente situam-se no contexto da evolução do sector a nível europeu e a nível global.

A EDP vai continuar, seguramente, a responder, nos próximos anos, aos desafios derivados do redesenho da política energética europeia e das mutações tecnológicas e de mercado.

No domínio da política energética europeia, as propostas legislativas da Comissão Europeia, conhecidas pelo Clean Energy for All Europeans, publicadas no final de Novembro de 2016, foram muito debatidas ao longo de 2017, com vista à sua adopção em 2020. A EDP tem acompanhado e participado activamente na sua discussão, pelo impacto na segurança e estabilidade dos investimentos em renováveis e em produção convencional. Neste momento, ainda não é possível antever o detalhe do resultado final, mas a descarbonização do sector vai continuar a ser o objectivo principal da política energética europeia. O crescimento do investimento em produção renovável, substituta progressiva da produção térmica, bem como os objectivos de eficiência energética, estão, pois, muito em linha com a estratégia que a EDP tem seguido, quer pela via do crescimento da EDP Renováveis, quer no segmento da comercialização no retalho, onde o modelo de negócio inclui o fornecimento de tecnologias de produção renovável distribuída, de eficiência energética, e a oferta de outros serviços aos clientes.

Nos países da OCDE, há tendência para o decréscimo no consumo total de energia, embora com um ligeiro aumento no segmento do consumo de electricidade. Este facto deve-se a uma maior electrificação do processo energético, dado ser tecnologicamente mais eficiente do que o processo de queima de combustíveis, constituindo a expansão do veículo eléctrico um bom exemplo, dentro do objectivo global de descarbonização. É importante ter presente esta tendência estrutural, pois se, em países emergentes, se espera crescimento pelo aumento natural do consumo, na Europa, nos EUA e noutras economias avançadas será muito mais relevante a perspectiva de investimento de substituição de produção térmica, assim como uma gestão global mais eficiente dos sistemas eléctricos e dos mixes energéticos.

Por outro lado, na comercialização a retalho – que a EDP expandirá proximamente a novos mercados externos – – jogam-se novos paradigmas, como é o caso da autoprodução e possível evolução em comercialização bilateral descentralizada e até autonomização parcial do sistema eléctrico existente. Para além das questões de racionalidade regulatória e de optimização dos recursos existentes que esta mutação estrutural exige, a EDP vai continuar a tirar partido destas oportunidades e a aprofundar a aplicação das Tecnologias de Informação necessárias à racionalização dos processos e a intensificar o recurso a novos instrumentos de optimização descentralizada, tendo como objectivo o desenvolvimento equilibrado da digitalização em todas as fases da cadeia de valor (numa óptica de avaliação custo/benefício). Este é um segmento da cadeia de valor em transformação e que recebe especial atenção nas prioridades de aprofundamento do processo de aceleração do desenvolvimento digital em curso na EDP, o qual constitui um elemento fundamental para responder a novas percepções de valor por parte dos clientes, antecipar as suas necessidades e agilizar todo o processo comercial e administrativo de relacionamento.

Senhores Accionistas:
O futuro reserva à EDP importantes desafios tecnológicos, de mercado e de pressão competitiva e regulatória, mas estamos convictos de que, com o apoio dos accionistas, o empenho, a capacidade de entrega, a persistência e o profissionalismo das equipas, a Sociedade continuará na senda do sucesso. O futuro constrói-se com pessoas, com qualidade na gestão e executando estratégias dinamicamente adaptadas às mutações estruturais.

Finalmente, agradeço a confiança dos Accionistas nos órgãos sociais e a dedicação e eficiência de todos os colaboradores da EDP.

Eduardo Catroga
Presidente do Conselho Geral e de Supervisão