6

6.os NOSSos gestores

António
Mexia

Presidente do Conselho de Administração Executivo
“Numa era de transformações profundas, de novos desafios constantes e em que o mundo evolui a uma velocidade sem precedentes, o tema central para uma companhia é saber antecipar tendências e saber executar com flexibilidade”

Caro Accionista,
Ao longo da última década, a EDP conseguiu estar sempre na linha da frente da nossa indústria, antecipando as tendências e criando novas oportunidades. Criámos um perfil diferenciador e provámos ter a capacidade de executar as nossas prioridades num sector em constante transformação e com enormes desafios. Os resultados estão à vista, com uma década de crescimento, de entrega de resultados e de criação de valor.

capacidade instalada
15,7 GW
26,8 GW
EBITDA
€2,6B
€4,0b
dividendo por acção
0,13€ /acção
0,19€ /acção
ffo/dívida líquida
19%
22%
2016
2017

Hoje, falar de grandes tendências no sector da energia é falar de uma revolução que se caracteriza por “4Ds”:

Descarbonização, um tema evidenciado pelas alterações climáticas e suportado pelo Acordo de Paris. A nossa indústria tem um papel fundamental para o alcance da neutralidade de emissões, uma vez que a solução passa obrigatoriamente por uma electrificação da economia assente em energias renováveis.

Digitalização, que tem tido fortes implicações em todos os sectores, criando disrupções profundas nos modelos de negócio mais tradicionais e com implicações em toda a nossa cadeia de valor, desde a operação dos nossos activos, à forma como nos relacionamos com os nossos clientes, e também, na forma como trabalhamos.

Downstream, em que estamos perante um cliente mais informado, mais tecnológico e mais exigente. E um cliente cujo papel muda de mero consumidor para um papel também de produtor e gestor da sua electricidade. Este novo paradigma não só tem implicações a nível do tipo de oferta como também atrai concorrentes de outros sectores.

Divulgação, hoje muito mais do que o simples cumprimento das informações relevantes obrigatórias. Na “era da informação” a sociedade passou a exigir total transparência por parte das empresas na forma como actuam, passando este a ser o modo de estar das empresas.

Estes são os temas que marcam o nosso sector e que a EDP soube antecipar: na Descarbonização, onde fomos pioneiros na aposta em renováveis, assumimos hoje uma posição de liderança no sector; na Digitalização, onde contamos hoje com mais de 450 iniciativas digitais nas diversas geografias e unidades do Grupo, assentes, entre outros, em RPAs, utilização de drones, plataformas de IoT e Data & Analytic; no Downstream, onde nos posicionámos do lado do cliente, sendo exemplo disso o processo de liberalização do mercado em Portugal onde, graças a uma oferta inovadora e com qualidade no serviço, somos líderes indiscutíveis na comercialização de electricidade e de gás, com 84% e 58% de cota de mercado respectivamente; na Divulgação, onde a EDP sempre actuou com total transparência e reporta anualmente, há mais de 15 anos, de acordo com os standards mais conceituados de sustentabilidade quer seja no desempenho Ambiental, Social, Ético, de Governo da Sociedade ou na relação com os seus investidores. Por estas razões, estamos convictos que o trabalho que temos feito e o modo como nos temos posicionado, nos deixa preparados para enfrentar o futuro.

Resultados assentes na antecipação

O ano de 2017 foi um ano de mudanças no portfolio do Grupo seguindo uma estratégia proactiva de criação de valor e tirando partido dos contextos de mercado sem prejudicar a nossa identidade. Na Península Ibérica, concluímos as vendas dos negócios de distribuição de gás em Espanha e Portugal, permitindo a cristalização de valor a múltiplos atractivos e aproveitando as oportunidades para executar negócios rentáveis para o Grupo. No Brasil, a EDP expandiu a sua operação para dois novos segmentos de negócio: transmissão e geração solar distribuída, que permitem maior capacidade de criação de valor nesta geografia. Nas Renováveis, a EDP lançou uma OPA à EDPR que resultou numa participação final para a nossa companhia de 82,5%, permitindo ao Grupo reter mais resultado deste segmento que representa no final de 2017 ~40% do EBITDA do Grupo. O ano fica também marcado pela atribuição em leilão de um projecto em offshore no Reino Unido, uma nova via de crescimento neste sector. Estas operações, em conjunto com a entrada no mercado da geração no Peru em parceria com a CTG, abrem novas opções de crescimento e reforçam a aposta em energias renováveis e activos de baixo risco, contribuindo simultaneamente para o nosso compromisso de desalavancagem e de entrega de resultados. Do ponto de vista financeiro, a EDP atingiu em 2017 um resultado líquido reportado de 1.113 milhões de euros, o que representa um aumento de 16% face a 2016.

grupo edp

3759
961
2016
3990
1113
2017

resultado líquido (M€)

EDITIDA (M€)

edpr

1171
56
2016
1366
276
2017

resultado líquido (M€)

EDITIDA (M€)

brasil

593
158
2016
615
168
2017

resultado líquido (M€)

EDITIDA (M€)

Quando analisamos os principais vectores que suportaram este desempenho, confirmamos a visão a longo prazo que nos caracteriza. O bom desempenho do EBITDA da EDPR e do Brasil são alicerces destes resultados, confirmando mais uma vez a opção estratégica da aposta nas energias renováveis, e da estratégia de internacionalização num mercado com forte potencial de crescimento como o Brasil. De referir que só na EDPR foram instalados, este ano, mais de 0,6 GW, ultrapassando hoje os 11 GW de capacidade instalada, naquilo que foi o ano de melhores resultados desta companhia. Os resultados da EDP estão também assentes na contínua excelência operacional do Grupo, tendo em 2017 atingido poupanças de OPEX 26% acima do previsto, superando uma vez mais as expectativas.

Importa ainda destacar a redução de 2 mil milhões de euros da dívida líquida do Grupo para 13,9 mil milhões de euros, que nos coloca a níveis de 2008 contribuindo para o retorno a investment grade pelas 3 principais agências de rating, também concretizado este ano.

4.4
15.923
2016
4.1
13.902
2017

dívida líquida (M€)

custo médio da dívida (%)

Gostaria também de referir que o ano de 2017 marca também o fim de um ciclo de investimento, a conclusão do Plano Nacional de Barragens, com a entrada em operação de Venda Nova III e Foz Tua, em que a EDP investiu mais de 2 mil milhões de euros em Portugal. Um período em que a nossa empresa mostrou mais uma vez a capacidade de desenvolver grandes projectos de engenharia, com impacto significativo na economia local e nacional. Fecha-se um ciclo e inicia-se um novo agora com foco na optimização e excelência operacional dos nossos activos. Estes resultados foram alcançados num ano particularmente desafiante para a nossa empresa devido à queda de 19% dos resultados operacionais na Península Ibérica, decorrente da actividade em Portugal. Um ano em que a seca severa (2017 foi um dos 4 anos mais secos desde 1931) e as alterações legislativas e regulatórias implementadas em Portugal tiveram em conjunto um impacto negativo nos nossos resultados operacionais de cerca de 400 milhões de euros. Mais uma vez provámos que, perante um ambiente adverso numa das geografias, a capacidade de transformação e adaptação que tem caracterizado o Grupo ao longo dos anos permitiu superar a adversidade e manter o crescimento e o compromisso assumidos.

O cliente no centro de tudo

Falar do modo como a empresa se tem adaptado leva‑nos também a falar daquilo que está hoje no centro de tudo aquilo que fazemos: o nosso cliente. É graças ao foco que temos nas pessoas que servimos, que em Portugal a EDP consolidou no último ano a sua posição de liderança, com uma carteira de clientes de electricidade que cresceu para 4,2 milhões, e que ascende a 650 mil de clientes no gás natural. Em Espanha a tendência também foi de crescimento, com mais de 1,1 milhões de clientes de electricidade e 883 mil clientes de gás. E, perante um cliente que está mais informado e mais exigente, evoluímos para apresentar propostas inovadoras na área dos serviços tal como o serviço Funciona ou a Factura Segura. Vamos continuar a evoluir com o nosso cliente, com a aposta no conceito de Casa Inteligente, em linha com as tendências de futuro, como a produção de energia solar, a mobilidade eléctrica, o armazenamento de electricidade e a gestão de energia.

Mas a inovação da oferta aos clientes tem de ser acompanhada de uma forte disciplina e um rigor na qualidade de serviço, e a verdade é que também aqui temos motivos de satisfação relativamente aos resultados de 2017. Na área comercial, promovemos iniciativas de automação e inteligência artificial que contribuíram para gerar poupanças sustentadas e reduzir o número de reclamações por cliente em 30% face a 2016, onde nos continuamos a destacar de forma clara face aos nossos concorrentes.

Também na distribuição de electricidade queremos ser exemplares, e continuamos a apostar na modernização das nossas redes hoje já com cerca de 2 milhões de contadores inteligentes instalados na Península Ibérica e com um dos melhores anos de sempre em termos de fiabilidade da rede, tanto em Portugal como em Espanha.

Pelas pessoas, com as nossas pessoas

A nossa actuação tem um foco claro na criação de valor para os nossos stakeholders. Mas a atenção dedicada não é apenas aos que estão fora da organização. Há um esforço idêntico direccionado aos nossos colaboradores. Neste aspecto gostaria, antes de mais, de destacar um dado interessante - 2017 foi o ano em que os chamados “baby boomers” deixaram de ser o grupo mais representativo na empresa, dando primazia à “Geração X” e aos “Millennials”. É o espelho de uma EDP em renovação, que sabe colocar lado a lado várias gerações, que sabe atrair talento e está pronta para receber pessoas novas, com novas ideias e novos backgrounds. Este é um ponto fundamental no que é a preparação da empresa para o futuro, a capacidade de atrair talento multidisciplinar e colocar todas as experiências e valências de uma equipa diversificada a trabalhar em prol da inovação e de uma cultura de excelência. Olhando para o nosso Grupo, além da diversidade etária, importa referir que hoje somos uma empresa multicultural com pessoas de mais de 40 nacionalidades nos 14 países onde operamos. É este tipo de diversidade que queremos promover e o nosso compromisso foi reconhecido em 2017 com a EDP a ser premiada com o prémio Diversity Management dos European Excellence Awards in HR 2017.

“No meio de uma revolução centrada no cliente, É preciso talento, diversidade, inovação e coragem”

A formação continua a ser um dos pilares da EDP e as nossas equipas estão em constante aprendizagem. Em 2017 as horas de formação do Grupo ascenderam a perto de 500.000 horas e envolveram 98% dos nossos colaboradores, e a Universidade EDP foi mais uma vez distinguida nos prémios de melhores universidades corporativas do mundo.

As nossas equipas entregaram em 2017, como já mencionei, resultados sólidos. Mas gostaria de destacar os casos em que as pessoas foram mais além. Este ano ficou marcado pelos trágicos incêndios em Portugal e pelo furacão Harvey nos EUA. Nestes dois casos a resposta das nossas pessoas foi extraordinária, voluntariamente mobilizando todo o apoio possível para as populações atingidas por estes eventos. No final do ano contabilizámos cerca de 35.000 horas de voluntariado e registámos cerca de 2.300 colaboradores voluntários.

Este é o reflexo de uma empresa que tem um forte compromisso com a sociedade mas também do carácter das suas pessoas.

Visibilidade para o futuro

Um futuro em que continuamos a crescer mantendo a nossa identidade. Somos líderes em renováveis e queremos continuar a privilegiar mercados que têm sido o principal motor do Grupo, tal como os Estados Unidos e o Brasil. O nosso investimento para o futuro, como tem sido até hoje, irá focar-se em negócios de baixo risco com visibilidade nos cash flows.

Um futuro com uma contínua aposta na eficiência. A EDP tem sido exemplar na disciplina de custos, sendo uma referência no sector com um OPEX sobre margem bruta abaixo dos 30%, e estando hoje já a implementar o seu quarto programa de eficiência operacional – OPEX IV. Iremos continuar a lançar iniciativas de eficiência em todo o Grupo com uma aposta cada vez mais forte na Digitalização.

Um futuro onde somos líderes na Digitalização. pela Digitalização. A EDP já tem um longo percurso no digital mas a nossa ambição é ser líderes nesta frente. Com este posicionamento a EDP visa optimizar a sua base de custos em toda a sua cadeia de valor, melhorar as soluções para os seus clientes e desenvolver novas oportunidades de negócio. Neste contexto, em finais de 2017 iniciámos um Projecto - o EDP X - que visa acelerar significativamente o ritmo de digitalização do Grupo e robustecer os pilares que lhes estão subjacentes tais como a Organização, os Dados, a Tecnologia e o nosso Ecossistema de Inovação.

Um futuro em que continuamos a criar valor. Como já referi, na última década a EDP provou ser capaz de crescer e de entregar resultados aos nossos accionistas. Este ano, o Conselho de Administração Executivo irá propor à Assembleia Geral um dividendo por acção de €0,19 em linha com 2016 e de acordo com a nossa política de dividendos. É neste sentido que continuaremos a trabalhar no futuro, com foco em alcançar os objectivos com os quais nos comprometemos e na constante criação de valor para os nossos accionistas.

“ A Digitalização apesar de ser tecnologia é sobretudo uma questão de pessoas, e a maioria das inovacoes nesta nova era serão resultado de uma cultura de partilha e de trabalho conjunto”

Vão surgir desafios significativos nos próximos anos e teremos de nos adaptar para continuar relevantes num sector cada vez mais competitivo. Mas é com optimismo que olhamos para os próximos anos, porque sabemos que temos as pessoas e a capacidade de antecipar e executar com flexibilidade. Agradeço o seu apoio e convido-o a ler com maior detalhe os marcos deste último ano nas páginas que se seguem.


Obrigado.

António Mexia
Presidente do Conselho de Administração Executivo