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3.ESTRATÉGIA

Um mundo em Descarbonização

A descarbonização continua a marcar a agenda mundial, com o mundo a assistir em 2016 ao terceiro ano consecutivo de estagnação das emissões de carbono do sector energético. No entanto, uma estagnação nas emissões não é suficiente para cumprir os objetivos estabelecidos no Acordo de Paris (Dezembro 2015).

O caminho da descarbonização implica uma alteração profunda ao modelo económico baseado em combustíveis fósseis, uma forte aposta em eficiência energética, eletrificação baseada em renováveis e o fomento da inovação.

Aumento da procura energética

Em termos geográficos, o aumento esperado da procura fica a dever-se aos países fora da OCDE (economias emergentes), com a China a permanecer o maior consumidor de energia.

As únicas formas de energia que crescerão em todas as geografias serão o gás natural e as renováveis, sendo o crescimento destas últimas em grande parte promovido via sector elétrico.

fontes de energia primária no mundo

(MTEP, 2016 - 2040)

32%
Petróleo
27%
Carvão
22%
Gás
5%
Nuclear
14%
Renováveis
27%
22%
25%
6%
20%

Fonte: AIE, World Energy Outlook 2017, New Policies Scenario

Ao nível da energia final, a electricidade será a forma de energia que deverá registar o maior crescimento relativo, cerca de 63% até 2040, fruto da crescente urbanização e da penetração da electricidade em novos sectores, como os transportes.

  • 24%

    Petróleo

  • 16%
  • 86%

    Carvão

  • 7%
  • 28%

    Gás

  • 59%
  • 63%

    Electricidade

  • 63%
  • 10%

    Calor

  • 10%
  • 21%

    Renováveis

  • 28%

2000 - 2016

2016 - 2040

Fonte: AIE, World Energy Outlook 2017, New Policies Scenario

Crescente Eletrificação dos Consumos

CONSUMO DE
ELECTRICIDADE

Até 2040, a electricidade será responsável por 40% do aumento de consumo de energia final – equivalente à quota de petróleo no crescimento registado nos últimos vinte e cinco anos.

RENOVÁVEIS

O desenvolvimento tecnológico e consequente queda nos custos das renováveis é o motor de crescimento destas tecnologias (maioritariamente eólica e solar fotovoltaico), impulsionado também por um conjunto de políticas sustentadas em preocupações ambientais e na redução da dependência externa (caso particular da Europa).

Digitalização do setor energético

No sector energético assiste-se hoje a uma crescente digitalização e inovação ao longo de toda a cadeia de valor. Por outro lado, a crescente digitalização permite a participação mais ativa dos consumidores, que se tornam cada vez mais sofisticados.

ENERGIAS
RENOVÁVEIS

No sector eléctrico, em 2017 atingiram-se recordes de preços mínimos de solar PV e eólica, resultado do forte desenvolvimento tecnológico e consequente redução de custos das renováveis, conjugado com um mecanismo de remuneração baseado em leilões de contratos de longo prazo, promovendo assim uma redução de risco, logo do custo de capital.

REDES
INTELIGENTES

No sector da distribuição e transporte de electricidade, as redes inteligentes têm vindo a ganhar popularidade, uma vez que permitem de uma forma automática monitorizar fluxos de electricidade, ajustando desvios no fornecimento e na procura. Quando agregadas com contadores inteligentes, estas redes permitem fornecer informação em tempo real aos consumidores e fornecedores de electricidade.

GERAÇÃO
DISTRIBUÍDA

A sofisticação dos consumidores promove o desenvolvimento de soluções integradas, que permitem ao consumidor instalar e operar sistemas de geração distribuída (p. ex.: painéis solares), maximizar o uso da energia através de baterias e controlar o seu consumo através de aplicações que promovem eficiência energética.

MOBILIDADE
ELÉTRICA

No sector dos transportes, a contínua redução dos custos de baterias nos módulos de veículos eléctricos (VE) conjugada com recentes políticas regulatórias irá promover a sua adoção, tendo o ano de 2017 sido marcado pelas metas de electrificação anunciadas por diversos produtores de automóveis assim como governos. A AIE estima que em 2040 a quota de VE corresponda a 14% da frota dos veículos de ligeiros passageiros, face aos 0,2% atuais.